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Poizé! Retomamos a rubrica das receitas que tem andado meio apagada. De Inverno é-nos mais fácil fazer estas coisas porque o dia vai-se mais cedo e somos obrigados a recolher à medida que o sol se vai... 

Assim, trabalhamos mais no sofá - que também temos um, ora essa :) - e pomos em dia as tarefas que, ainda que por vezes fiquem para trás, são igualmente importantes.

Esta receita de sopa de feijão dá um bocadinho trabalho, quanto mais não seja porque o feijão exige preparo. E é aqui que vamos ser muito chatos!

 

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O feijão que costuma ir nos cabazes é, por nós, carinhosamente chamado de feijão seco. Este feijão deve ficar de molho em água fria de um dia para o outro. E é logo todo, não caiam no erro de conservar metade para uma próxima cozedura porque só vão sujar mais uma panela e gastar mais água e energia.

No outro dia (ou seja, no dia seguinte ao feijão ter ficado de molho), escorre-se o feijão da água e não se aproveita essa água, sim? Coloca-se o feijão numa panela (se for de pressão, melhor!) coberto com água, uma cebola (descascada, sim?, mas pode ser inteira), uma folha de louro e sal. E deixa-se cozer. Quando estiver cozidinho, retira-se do lume e deixa-se arrefecer. E, para acondicionar (só quando já estiver frio), sugerimos que faça assim: escolha quatro recipientes, dois maiores e dois mais pequenos. Já vai perceber porquê!

Divida o feijão já cozido pelos quatro recipientes (o recipiente pequeno leva menos do que o grande, ok?). Reserve um grande e um pequeno para fazer esta sopinha hoje e congele os outros dois (que serão um grande e um pequeno) para fazer a mesma sopinha noutro dia que lhe apeteça.

Pronto, a parte chata já está!

 

Ingredientes:

1 cebola média, descascada e cortada em cubos

1 batata média, descascada e cortada em cubos

1 dose + 1/2 dose de feijão seco já cozido

1 cenoura grande, com casca (sim!) e cortada às rodelas

2 tomates com rama grandes, daqueles bem vermelhos e carnudos, como costumamos ter sempre (não se aproveita a rama, os tomates cortam-se em quatro ou em oito, como preferirem

2 dentes de alho, descascados

3 pés de coentros, lavadinhos e picados

1 mão cheia de cotovelinhos (massa)

azeite e sal a gosto 

 

Numa panela alta, colocar azeite (não tape só o fundo finamente, ponha mais um bocadinho). Quando este aquecer juntar a cebola, o alho, a cenoura, o tomate e a batata, para que refoguem no azeite. É nesta parte que começa a vir aquele cheirinho da cozinha da avó, asseguramos. Vá mexendo para não pegar e quando a misturada começar a mudar de cor verta para junto dela água quente (sim, quentinha, a mais quentinha que conseguir), até que todos os ingredientes fiquem cobertos de água. Junte sal, tape a panela e deixe cozer dez minutos em lume médio. Passado este tempo junte o recipiente maior de feijões! Deixe cozer mais cinco minutinhos ou até a batata e a cenoura começarem a ficar tenrinhas. Logo que isto aconteça, tire a panela do lume e triture. Rectifique de sal e volte a colocá-la ao lume (médio). Quando começar a ferver junte-lhe os cotovelinhos e os feijões do recipiente mais pequeno, coloque o lume no mínimo (para os cotovelinhos não se pegarem ao fundo da panela, pois!) e espere mais um bocadinho, só até que os cotovelinhos cozam (normalmente dez minutos chegam). 

Antes de servir esta sopinha a fumegar junte-lhe os coentros picados. Adoramos uma boa pratada desta sopa supimpa acompanhada com fatias de broa de milho, aquela que a Cristina amassa como ninguém. Experimentem. Vale mesmo a pena.

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Nem sempre conseguimos ter ervas aromáticas no cabaz da semana mas conseguimos sempre ter um variado leque delas para encomenda extra!

 

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Estas são as sete magníficas sempre disponíveis (salvo intempérie, pois claro, não vá vir uma rabanada de vento ou uma enchurrada de lama pelo cabeço abaixo que as soterre), que para além de terem cada uma delas um cheirinho particular (e óptimo, diga-se), conseguem dar a qualquer cozinhado um sabor ainda mais especial:

 

- Salsa - coitada, ninguém dá nada por ela. Mas fiquem a saber que esta menina no arroz de cenoura fica divina! E nas omoletes? Ai! Nem pensar em falhar! Semeamos todos os meses e os nossos solos são perfeitos para que ele se crie linda, viçosa e cheia de graça.

 

- Coentros - amados por uns, odiados por outros, em casa da Joaninha nunca faltam (faltam outras coisas porque em casa de ferreiro o espeto, às vezes, é de pau). Seja para o guacamole com abacates do Algarve (é!) ou para o arroz de peixe (que a magana não é muito dada à carne),  fazem toda a diferença. São, no entanto, os que temos mais dificuldade em cultivar, porque espigam (ficam com umas folhinhas remelosas e raquíticas na base do tronco). Quando estão muito bonitos, lá nos campinhos, às vezes ganham pernas. Ainda assim, são difíceis de apanhar, principalmente se a terra estiver muito húmida (leia-se lama). 

 

- Hortelã - já ouvimos para aí umas pessoas dizer que na canja metem salsa. Podem meter à vontade. Nós metemos hortelã e metemos muita. No arroz de tamboril (quando lhe podemos chegar), com coentros, também lhe juntamos umas folhas picadas e o mesmo fazemos à pasta de requeijão e limão. Fica ainda mais fresca e os miúdos a-do-ram.

 

- Erva Príncipe - ou erva dos gatos, vendemos para os dois propósitos, pois não queremos os vossos bichanos a passar mal com saudades de mascar esta linda plantinha. Adoramos ir à noite apanhá-la (sim, às vezes fazemos isso) porque no sítio onde está há calmarias: quase sempre um céu estrelado e quase sempre nenhum frio. Ficamos ali com um ar meio parvo a olhar para ontem mas saímos de lá com um quentinho no coração inacreditável, é um sítio mesmo mágico! É uma erva pouco exigente para connosco que nos serve sempre um chá supremo! 

 

- Salva - com esta menina nem o sal se mete. Ou melhor, se meter, que se meta pouco, senão é capaz de dar caldeirada. Sim, isso mesmo, em pratinhos com peixe esta menina é raínha. Caldeirada (outra vez), massada, sempre nessa linha. Diz que também vai bem com carnes mas às horas que andamos a chegar a casa ainda não conseguimos experimentar.

 

- Alecrim - é a erva aromática que nos dá menos trabalho porque até podemos esquecer-nos de a regar, confessamos. Apesar de existirem muitas pessoas alérgicas ou intolerantes às batatas (mas só porque nunca provaram das nossas) é nelas que utilizamos este arbusto (sim, é um arbusto!). Custa um bocadinho a colher porque temos de levar artilharia pesada (às vezes uma tesoura de poda) mas no fim (de cada garfada) vale todo e qualquer esforço.

 

- Tomilho - é usá-lo nos estufados, principalmente nos vegetarianos,  aqueles semelhantes aos do médio oriente, que levam tomate, cenoura, cebola, beringela. É muito amigo de atum e de polvo e das carnes em geral. Nós adoramos colhê-lo: está num sítio abrigadinho e virado ao sol e as nossas mãos ficam com um cheirinho fresco incrível. 

 

Então e agoram digam-nos lá! Qual a vossa preferida? Como utilizam cada uma delas? Surpreendam-nos! 

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Dona Horta

A Dona Horta é um serviço de entrega de produtos frescos, naturais e saudáveis. Preparamos todas as semanas cabazes de fruta e hortaliças da época e entregamos em locais e horários pré-definidos. Este método único reduz significativamente a pegada ecológica associada à distribuição e promove uma maior aproximação entre consumidores e produtores nacionais. Mas mais importante, a Dona Horta ajuda a melhorar a dieta e bem estar da sua família. Tudo o que precisa de fazer é saborear o melhor da nossa terra, pois nós tratamos do resto! Visite-nos em www.donahorta.pt